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Duo Favoriti

Duo Favoriti
Formado por Patrícia Nogueira e Dagma Eid, o Duo Favoriti segue a trilha aberta pelo duo Llobet-Anido, formado pelo espanhol Miguel Llobet (1878 – 1938) e a argentina Maria Luisa Anido (1907 – 1996). Nesta entrevista, elas falam sobre a guitarra romântica na execução de obras do período clássico-romântico, instrumentos de época, o novo cd do Duo entre outros temas.

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CG: Vocês tocam o repertório para violão do período clássico-romântico em guitarras românticas. Por que optaram por ela? Quais as principais características desse instrumento e as diferenças para o violão moderno?
Duo Favoriti: Utilizamos o modelo Lacôte, que foram construídas pelos luthiers Luciano Faria (2013) e Antonio Tessarin (2016). A guitarra romântica foi o último instrumento dentro da evolução dos instrumentos de cordas dedilhadas e não sofreu tantas mudanças físicas quanto nas épocas anteriores ao advento do violão moderno. Podemos dizer que basicamente se trata de um violão de dimensões menores e sonoridade mais delicada. Foi justamente essa sonoridade que nos atraiu ao modelo histórico e nos aproximou ainda mais do repertório dos guitarristas do século XIX, que escreveram um grande número de música de câmara, especialmente duetos de guitarras. Os livros desse período não especificam nenhum padrão para tocar o instrumento. Encontramos inclusive indicações contraditórias quanto ao uso de unhas, apoio do dedinho sobre o tampo, uso do polegar para digitar na mão esquerda, discussões que já foram esgotadas pelos violonistas. A única diferença que vale mencionar é que, por ser um instrumento menor, preferimos usar correias ao invés de apoiá-la no corpo.

CG: Foi necessário desenvolver uma técnica específica para a guitarra romântica e a guitarra barroca, ou vocês utilizam a mesma técnica do violão?
Duo Favoriti: A transição da música do século XVII para o estilo rococó trouxe importantes mudanças nas texturas harmônicas e, no caso dos instrumentos de cordas dedilhadas, a adição de bordões e a simplificação na maneira de encordoar o instrumento. A guitarra barroca possui cinco cordas duplas, e essa característica é o que torna a técnica de mão direita diferente – um toque mais paralelo e sem unhas. A partir do momento em que a guitarra passou a ter seis cordas simples, a técnica de mão direita se aproxima da que se usa atualmente no violão moderno, com as características do toque pessoal de cada violonista, obviamente. Portanto, para realizar o repertório clássico-romântico, não foram precisas grandes mudanças na técnica, apenas aguçar os sentidos para apreciar uma sonoridade diferente, que nos remete a uma clareza e riqueza de timbres que o instrumento moderno perdeu com o aumento de projeção.

CG: O primeiro CD do duo está em produção. Como será viabilizada a finalização desse trabalho?
Duo Favoriti: O processo de produção do álbum está sendo totalmente independente. Em 2017, por parceria com o curso de Produção Fonográfica da Fatec Tatuí, Bianca Milanda, aluna de lá, se juntou a nós para nos assessorar como produtora. Depois de decidido todo o repertório que seria gravado e de estar tudo bem ensaiado, entramos no estúdio da Fatec para gravar. Foram quatro períodos de gravação, em abril e maio, totalmente gratuitos, pois o estúdio de lá é instrumento do estado e não pode haver dinheiro envolvido. Agora, com as edições das músicas já feitas, a mixagem deverá ser finalizada em julho na Fatec também, e a masterização será feita logo depois, com Ricardo Marui.

Para viabilizar a masterização e prensagem do CD, já que a gravação e mixagem foram gratuitas, faremos a pré-venda do álbum via plataforma online de financiamento coletivo que será aberta no dia 4 de junho e durará dois meses. Quem comprar o CD nesse período terá a vantagem de pagar mais barato e poder escolher outras recompensas exclusivas. O lançamento oficial está programado para a segunda metade de agosto, quando faremos um recital especial. Quem tiver interesse acompanhe-nos em nossa página do Facebook ou em nosso perfil do Instagram, onde postaremos todas as novidades e informações.

CG: O repertório do CD é composto por obras de quais períodos e compositores?
Duo Favoriti: Decidimos mostrar, neste primeiro CD, um pouco de cada estilo de música com que temos trabalhado desde que o Duo começou, em 2014: músicas de compositores do século XIX, arranjos do célebre violonista catalão Miguel Llobet para tocar com sua aluna Maria Luisa Anido, e algumas obras inéditas de compositores violonistas importantes para a nossa formação e que atuaram no Conservatório de Tatuí. Assim, homenageamos o duo histórico Llobet-Anido, o qual serviu de referência para a formação de vários duetos de violão que conhecemos atualmente, como também os responsáveis por parte de nossa formação individual como violonistas.

O repertório do CD inclui algumas obras para duos de guitarras do período clássico-romântico – do Opus 55, de Fernando Sor, e uma Fantasia para Guitarra Terza e Guitarra, de J. G. Mertz. A guitarra terza possui afinação mais aguda (uma terça acima) e tamanho menor do que a guitarra clássica tradicional, mas, para realizar o repertório para essa formação, basta colocar um capotraste na terceira casa do instrumento. Também usamos as guitarras Lacôte para gravar um arranjo da Sinfonia nº 39, de Mozart, e uma adaptação da Canção sem Palavras, de Mendelssohn.

Além do repertório tradicional, o CD conta com obras inéditas dos violonistas Edson Lopes, Geraldo Ribeiro e o saudoso Jair de Paula – conhecidos por suas carreiras de professores e concertistas, mas com um lado de compositores e arranjadores que merece ser revelado.

Gravamos algumas de suas obras originais para duo de violões e também arranjos de famosas obras brasileiras como Tico-Tico no Fubá e Brasileirinho. O resultado foi um repertório diversificado e representativo do nosso trabalho atual como musicistas.

CG: Ambas têm uma extensa carreira como professoras. Olhando em retrospectiva, percebem uma grande diferença entre seus primeiros alunos e os atuais? A forma com que eles aprendem música e violão mudou muito?
Duo Favoriti (Dagma): Acredito que hoje o professor precisa orientar o aluno, além de apenas informar, já que é muito mais fácil ter acesso a qualquer tipo de informação do que há alguns anos. Com o surgimento das redes sociais, é preciso auxiliar o aluno a definir sua personalidade como intérprete, ao invés de apenas reproduzir as referências que ele busca na internet e também se envolver com a música que ele está estudando através das ferramentas fornecidas nas outras disciplinas musicais.

Duo Favoriti (Patrícia): Hoje observamos que houve um grande avanço no aprendizado musical, graças ao uso da internet, sendo esta uma grande aliada para o conhecimento musical dos alunos. Nos tempos atuais, os alunos têm de pronto acesso as diferentes interpretações, facilidade de que os primeiros alunos não dispunham. Além de desfrutarem desse benefício, ampliou-se o conhecimento musical devido às facilidades de pesquisa e informações que outrora não eram disponíveis, tornando mais rápido o aprendizado. Dispomos ainda, na atualidade, de muitos festivais, intercâmbio, concursos e masterclass com renomados violonistas, tudo sendo primordial para a formação da identidade musical de cada aluno.

CG: Como vocês observam o cenário atual para o violão? Vivemos um momento positivo? Existem mais e melhores oportunidades de trabalho?
Duo Favoriti (Dagma): Vivemos um momento crítico em vários setores da sociedade e, com as artes, não poderia ser diferente. Penso que as melhores oportunidades para ter alguma visibilidade sejam realmente na internet e suas redes sociais. Para isso, o violonista atual tem que saber produzir a sua própria carreira online. Talvez seja o momento dos cursos superiores de música ajustarem suas grades curriculares para atender a essa nova realidade.

Duo Favoriti (Patrícia): Observa-se que o violão ganhou cada vez mais difusão no meio musical, devido às divergentes formações violonísticas que existem na atualidade. Hoje, o violonista atua como solista ou camerista de diferentes formações como duo, trio e as mais inusitadas combinações com outros instrumentos musicais. Isso gera um leque de possibilidades de propagação da cultura musical de forma positiva, pois o repertório se torna vasto devido aos arranjos e transcrições disponíveis para o instrumento.

Atualmente o mercado de trabalho é bem diversificado devido às inovações tecnológicas, e o músico se beneficia de recursos assim para fazer arranjos, transcrições e principalmente das facilidades midiáticas como gravações e o uso da internet como um grande difusor musical.

Comparando com anos remotos, hoje há um afã muito maior pela educação musical, e isso faz com que o violonista, além de atuar como músico, atue como pedagogo nas diversas escolas e projetos sociais de ensino musical no país.

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